Pela Imprensa ( 34): bolhinhas de fresco prazer

O que fazer com um calor assim, avassalador, como o que se sente por estes dias de verão?

Os sifões Prana Sparklets são a solução! “Uma delícia”, para refrescar nos piores períodos de canícula. Era pelo menos o que se prometia em anúncios publicados na imprensa, nesse verão de 1910, o último que Portugal viveu em monarquia.

Ao contrário de outras mordomias apenas disponíveis aos bolsos mais abonados, estes aparelhos eram acessíveis para “casas pobres”, assim como o eram para as ricas, salutares na cidade, no campo ou no mar, sempre cumprindo as maiores exigências de conforto e higiene.

Mas, o que é que estes sifões permitiam, efetivamente? Bebidas refrescantes, gaseificando a água que neles se colocava, em conjunto com sumo de frutas, por exemplo, ou fazendo uso dos cristais de frutas (morango, groselha, limão e laranja, entre outros), ao preço de 320 réis cada lata de 8 onças (pouco mais de 225 gramas).

Era como ter uma fábrica de água gaseificada na sua própria casa!

Permitia produzir uma espécie de refrigerante, mas mais natural e caseiro, aqui divulgado por uma bonita jovem, em traje de praia e numa pose insinuante, até ousada para a época.

Vendiam-se “em toda a parte”, mas o concessionário oficial para Portugal e colónias era a famosa farmácia Barral, então no nº 126 da rua Áurea – hoje um hotel – em Lisboa. Passou depois para a rua Augusta, onde ainda funciona.

E, para além dos próprios sifões, este estabelecimento existente até hoje vendia as peças que deviam ser substituídas nos aparelhos com mais uso, para que continuassem a funcionar a contento. Disponível igualmente o livro “Economia e Acceio”, com interessantes receitas e instruções.

Os sifões Prana Sparklets tinham origem em Inglaterra, onde não consta que, por essa época, houvesse calor de monta, como hoje.

A empresa original, a Aerators Limited, em Crayford, Kent (Londres) foi criada em 1896, ano em que produziu a sua primeira garrafa. O sifão em vidro “prana” foi introduzido em 1910 – era, portanto, uma novidade internacional – e foi comercializado até 1934. Atualmente, a firma faz parte da ISI GmbH, com sede em Viena, na Áustria, e ainda produz sifões.

Os anúncios aos sifões da Sparklets partilhavam espaço nos jornais com outros produtos, serviços e eventos célebres, como a cartomante Madame Brouillard, concursos de aeroplanos ou corridas dos últimos modelos de automóvel.

Fontes

  • Illustração Portugueza, 20.08.1910, 26.09.1910
  • History | Sparklets Collectors’ Guide
  • Farmácia Portugal – Lisboa – Barral

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