Lido em parte incerta (6)

açafata (1).jpg

 

 

 

cena para açafata.PNG

Açafata (aquela que usa o açafate): diz-se da responsável pelo toucador de rainha ou princesa.

Diz-se da pessoa encarregada das roupas das senhoras da família real. Entre as suas funções estava a entrega das vestes e acessórios, prontos a serem usados, acondicionados dentro de um açafate, daí o título. Também ajudava a vestir e despir e guardava as peças de vestuário e toucados.

nascimento de santa joana princesa.PNG

As açafatas faziam parte da Casa da Rainha, correspondendo a sua posição à mais baixa de entre as senhoras ali representadas, com proximidade à soberana. No início do século XIX, em Portugal, a hierarquia tinha no topo a camareira-mor, seguida, por ordem decrescente de importância, das damas; damas de honor; damas da câmara e, por fim, as açafatas. Em 1826, a princesa Maria da Glória (futura D. Maria II), tinha 25 açafatas ao seu serviço, número que foi progressivamente diminuindo nos reinados seguintes.

Lido por aqui e por ali

“Era António de Cavide tanto das entranhas de D. João IV que (…) arguiam-no os áulicos de ser o medianeiro dos amores ilícitos do monarca. Da açafata D. Justa Negrão segredava-se na corte que fora ele o corruptor à custa de infames aliciações, necessárias a vencer a indiferença e até a relutância da criada do Paço. Fora ainda António de Cavide o agente de profissão de D. justa no convento de Chelas e em casa d’este secretário se estava criando a filha d’esses amores em que a vítima violentada ganhara vestir a mortalha monástica…”

Camilo Castelo Branco, O Regicida, 3º Edição, Companhia Editora de Publicações Illustradas, Lisboa, 1896. p. 105

açafate retangular.PNG

Açafate: diz-se de cesto baixo em vime, ou verga, sem tampa, asas ou arco, usado para transportar roupa e atavios, por exemplo.

Lido por aqui e por ali

“Aconteceu que vindo el-rei àquela terra, quis este senhor por fruta nova (que não o era) mandar-lhe alguns figos (…) e mandou ele três pajens, cada um com seu açafate, que o enchessem de figos, encomendando-lhes a limpeza e bom tratamento deles porque era para levar a el-rei.”

Teófilo Braga, Os três Conselhos, in Contos Tradicionais do Povo Português II, Portugal de Perto, Etnográfica Press, p. 94

 

Desta palavra, com origem árabe, surge também:

açafate planta.PNG

Açafate-de-prata ou açafate-da-praia (Lobularia marítima), planta de baixo porte com pequenas flores brancas que exalam um perfume doce. Existente nas zonas costeiras no Mediterrâneo e Macaronésia (Açores e Canárias). Usada para fins ornamentais, é facilmente cultivada, No passado, partes desta planta eram consumidas como alimento.

Lido por aqui e por ali

“O açafate-da-praia ou escudinha (lobularia marítima ssp. marítima) é uma planta pertencente à mesma família das couves…”

http://www.natural.pt

 

Fontes

“açafata”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/a%C3%A7afata.

“açafate”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/a%C3%A7afate.

 

Porto Editora – no Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2025-03-27 11:49:16]. Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/açafate

Porto Editora – no Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2025-03-27 16:14:49]. Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/açafata

 

Pedro Urbano da Gama Machuqueiro, Nos Bastidores da Corte”: O Rei e a Casa Real na crise da Monarquia 1889-1908, Tese de Doutoramento em História, especialidade de História Contemporânea, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2013. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://run.unl.pt/bitstream/10362/12317/1/PedroUrbano6380.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Alisso

http://www.natural.pt

 

Imagens

https://www.sabado.pt/vida/detalhe/cha-decotes-leques-e–bailes

Contracapa do livro A Camareira Real, Quetzal Editores

Disponível em :

https://obibliognosta.pt/pt/produtos/a-camareira-real-g2335

 

Nascimento de Santa Joana Princesa, Museu de Aveiro, Carlos Monteiro (fotografia – 1994), in Por Entre as Camas de Roupa, Maria João Ferreira, Coleções em Foco – Palácios Nacionais (Sintra – Queluz – Pena, 2020.

https://www.museuvirtualdalusofonia.com/glossario/acafate/

 

https://nomundodatatas.blogspot.com/2013/05/um-acafate-de-familia-family-basket.html

 

https://acores.flora-on.pt/?q=Lobularia

chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://run.unl.pt/bitstream/10362/12317/1/PedroUrbano6380.pdf

 

 

 

8 responses to “Lido em parte incerta (6)”

  1. Este tema levanta uma boa questão… o que faziam essas tais “açafatas” no resto do seu dia?

    Gostar

    1. Ui, aquilo eram muitas camadas de roupa. Dava para estarem ocupadas muito tempo…

      Gostar

      1. Mesmo assim, presume-se que não andassem o dia todo na mesma coisa, não é?!

        Gostar

      2. Olá! sim, claro. Não investiguei, mas, por mera dedução, imagino que se dedicassem a outras tarefas, nomeadamente lavores femininos e música. Estamos a falar de pessoas da nobreza, ou pelo menos com algum estatuto, apesar de corresponderem ao “degrau” mais baixo na hierarquia da Casa da Rainha. Não eram umas simples criadas.

        Gostar

      3. Faz sentido, obrigado! :)

        Gostar

  2. Cara amiga,Adorei ler este seu texto.Muito lhe agradeço a sua contribuição para a minha cultura geral. 😁👍🪷a. lázaro

    Gostar

    1. Muito obrigada! A cultura geral da minha amiga muito me tem ajudado em variadas circunstâncias…

      Gostar

Deixe uma resposta para Anónimo Cancelar resposta