Pela imprensa (30): unic[as] e irrepetíveis fitas

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Há aquelas invenções que, pela sua simplicidade e alardeada eficácia, parecem geniais. À distância, tendo em conta que não prevaleceram no tempo, talvez não fossem tão brilhantes como à partida se poderia pensar. Assim se passou com as extraordinárias fitas “Unic”, a salvação de qualquer cavalheiro orgulhoso do seu aprumo e elegância.

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Em 1925, os jornais mostravam anúncios que davam conta desta maravilhosa criação de origem britânica. De facto, quem mais poderia ter dado ao mundo uma fita cuja função é manter as calças masculinas sempre impecavelmente vincadas e engomadas, senão os súbditos de sua majestade Jorge V, alegadamente sempre tão esticadinhos e impecáveis nas suas indumentárias?

Precisamente! As fitas “Unic”, provavelmente aparentadas com a entretela, mantinham-se coladas ao tecido, garantindo um vinco eterno e a ausência de joelheiras, para além de serem resistentes à água.

Eram, afiançava-se, a diferença entre um ar de pobreza e abandono e o aspeto distinto e elegante a que qualquer gentleman aspira. Com tantas vantagens, também se poupava dinheiro e trabalho, já que a aplicação destas fitas prevenia que fosse novamente necessário passar a ferro.

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Tudo isto por apenas 7 escudos, à disposição na Maison Blanche, no Rossio – 16 (na imagem), ali, a dois passos do Café Nicola, que em 1925 não existia, uma vez que o “antigo” havia encerrado em 1834 e o atual só abriria as portas quatro anos depois deste esplendido anúncio ser publicado.

Este ano, por outro lado, foi de mudança naquela emblemática praça lisboeta, com a replantação de árvores, indo ao encontro da vontade popular à qual muito tinha desagradado a desarborização anterior, levada a cabo pelo município.

 

Fontes

Fundação Mário Soares, Casa Comum, em linha

http://casacomum.org/cc/diario_de_lisboa/

Diário de Lisboa, 03/04/1925

https://arquivomunicipal3.cm-lisboa.pt/X-arqWEB/

https://restosdecoleccao.blogspot.com/2016/11/cafe-nicola.html

Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa

Joshua Benoliel, Estabelecimento Maison Blanch ornamentada para o IV Congresso Internacional de Turismo, em 1911, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/000425

7 responses to “Pela imprensa (30): unic[as] e irrepetíveis fitas”

  1. Bom dia! Mas será que isto funcionava mesmo? E, se sim, porque deixou de ser comercializado?

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    1. Funcionar funcionava, mas não com a eficácia que se apregoava. A minha mãe foi modista e aplicava umas coisas destas, já não me lembro se desta marca ou uma imitação.

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      1. Obrigada pelo esclarecimento. Tive duas avós modistas, mas não me recordo de as ver utilizar este sistema.

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    2. Perguntas de difícil resposta para mim…

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      1. Hey, convém sempre explorar isso, também! Quer dizer, pode encontrar algum produto que está esquecido, trazê-lo de volta para Portugal e ganhar um dinheirão…

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      2. Se fosse rentável, os chineses já tinham feito isso…

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      3. Nunca se sabe, nunca se sabe!

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