Instantâneos (89): o dia em que o vulcão desapareceu

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Desapareceu! A 27 de agosto de 1883, a ilha de Krakatoa, na Indonésia, esfumou-se, enquanto se ouvia o maior estrondo que o ouvido humano já captou, fruto de uma das mais brutais erupções vulcânicas de sempre. No lugar da anterior chaminé, ficou apenas um colossal buraco.

Pouco antes, todos pensavam que o Krakatoa estava extinto, mas os acontecimentos mostraram da pior maneira que estava bem vivo.

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Nessa segunda-feira de má memória, uma monstruosa explosão deixou um lago escaldante onde antes se encontrava aquela ilha do estreito de Sunda, na Indonésia.

 

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O choque térmico, os vapores e o impacto da lava convergiram num tsunami que matou 40 mil pessoas, em vários continentes.

Ouvida a 5 mil quilómetros de distância, tamanha reverberação provocou assombro e até surdez.

A cinza em suspensão viajou muitos quilómetros. Os destroços e os corpos foram sendo encontrados, a conta-gotas, durante largos meses.

krakatoa evolucao. JPG

 

Em praticamente todo o mundo, registaram-se impactos no clima, que se prolongaram por cinco anos, com alterações de temperatura e tempestades inesperadas.

Durante algum tempo, gerou-se um inverno vulcânico e a paisagem transformou-se, pintando os céus com estranhos – belos – e assustadores cambiantes, hesitantes entre o escarlate, o violeta e o cinza-chumbo. À falta de fotografias a cores, alguns artistas encarregaram-se de imortalizar na tela ou no papel esse estranho panorama.

Dir-se-ia que horizonte ardia ou sangrava.

Após tão aparatosa “atuação”, o lago gerado com a explosão foi lentamente transformado em berço de fauna e flora únicas. Durante quatro décadas reinou o silêncio.

Até que o “filho” do vulcão original começou a emergir do mar, a uma assustadora candência de cinco metros por ano. Em 2018 e 2020, mostrou que ainda vivia, explodindo novamente.

De cada vez que acorda, os efeitos são devastadores, expelindo a lava acumulada no seu gigantesco depósito subterrâneo com 50 quilómetros de profundidade.

Quando voltará a fazer-se ouvir?

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Pode aqui ouvir o som do Krakatoa

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Fontes

Krakatoa, o inferno de Java: a erupção há 137 anos que foi sentida no planeta inteiro – BBC News Brasil

A ERUPÇÃO DO ANAK KRAKATOA | ESPAÇO HOJE TV EP2181 – YouTube

27 de agosto de 1883: A erupção de Krakatoa – YouTube

Krakatoa Eruption Real Sound (1883) – YouTube

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12 responses to “Instantâneos (89): o dia em que o vulcão desapareceu”

  1. Talvez não se possa afirmar que a explosão de Krakatoa tenha sido a mais intensa que um ouvido humano tenha alguma vez escutado. A explosão ocorrida na ilha grega de Santorini, há 3600 anos, pode ter tido uma intensidade comparável. Como é evidente, não existem registos sonoros dela. https://pt.wikipedia.org/wiki/Santorini

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    1. Pois, poderá ter razão. Para mim até é bastante estranho que se consiga perceber a intensidade de um som a tão longa distância, mas sei que há mecanismos para fazer esse cálculo. Presumo que, quanto mais distante for a ocorrência, mais difícil será determinar os decibeis atingidos. Será? Obrigada pelo comentário e pelo contributo.

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      1. Não é, de todo, uma das nossas especialidades, mas a resposta – com fórmulas e tudo – pode ser vista em https://www.youtube.com/watch?v=twppI9Eizp8 . Aparentemente sim, a fórmula matemática tem em conta a distância…

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      2. Pois, mas como se sabe que dados introduzir quando falamos de algo que aconteceu há milhares de anos? Sinceramente, são temas que acho apaixonantes, mas me ultrapassam totalmente.

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  2. Cuidado, uma pequena correcção – ali, onde diz “Pode aqui ouvir o som do Krakatoa”, o link não funciona, MAS um pouco mais abaixo, onde está escrito “Krakatoa Eruption Real Sound (1883) – YouTube”, aí já funciona! E sim, por curiosidade queríamos ouvi-lo!

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    1. Obrigada! Vou tentar corrigir.

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  3. A GEOLOGIA E A VIDAUma das coisas que a Geologia me ensinou ao longo dos muitos anos que com ela convivi, foi que na Terra, muitas vezes como na vida, os eventos catastróficos como a explosão do Krakatoa, caracterizados por uma grande intensidade num curto espaço de tempo, têm muito mais influência na história global (da geologia ou da vida) do que pensamos. Muito do que observamos hoje (na Terra ou na vida de alguém) foi frequentemente formatado por catástrofes, terrestres ou eventos traumáticos da vida, que muitas vezes nos são invisíveis num primeiro olhar.É um tema que continua a fascinar-me e que continuo a tentar conhecer e compreender melhor.

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    1. E, sem dúvida, um tema fascinante. Muito obrigada por partilhar aqui estas interrogações e outras que ache oportuno.

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  4. O SEU POST LEVOU-ME A MINHA ADOLESCENCIA NA AFRICAOCIDENTAL PORTUGUESA, EM LUANDA-ANGOLA, ONDE VI OFILME KRAKATOA A LESTE DE JAVA.APRENDI ENTAO A PALAVRA TSUNAMI QUE TENHO MUITAS VEZESPRESENTE ATE PELO QUE ACONTECEU EM LISBOA EM DATA ANTERIOR.MAS ISSO E´ OUTRA HISTORIA… A.A.

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    1. Num país com uma vasta costa, como o nosso, a palavra tsunami pode ser muito assustadora. Especialmente conhecendo esse trágico exemplo de destruição, em 1755. Fiquei com vontade de ver esse filme. Obrigada!

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