Instantâneos (65): no princípio era a truta

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Comer peixe de “aquário” pode parecer coisa destes tempos em que nos oceanos abunda o plástico e escasseia a vida, mas há muito que existem experiências consistentes nessa área. No nosso país, onde tal sector só tardiamente se implantou, há mais de cem anos produziam-se trutas que tinham como destino dar vida os rios portugueses, já nessa época “em despovoamento rápido e contínuo”.

 

 

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A Estação Aquícola do Rio Ave foi criada em 1893 e instalada em Vila do Conde. Dos seus tanques saiam anualmente mais de dois milhões de peixes para repovoamento.
Parte importante deste trabalho era desenvolvida nos laboratórios, caixas de encubação, aparelhos para agitar os óvulos que necessitam de movimento para eclodir, tanques de reprodução, lagoas e maquinaria para bombagem, filtragem e circulação de água, captada diretamente no rio Ave. A alimentação dos peixes era preparada em cozinha própria!

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As principais espécies ali criadas artificialmente eram a truta vulgar, a truta americana, o salmão e o sável. Em 1908, a novidade era a cultura de truta dos lagos da Suíça, para ganhar novo lar nas lagoas da serra da Estrela

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Dois nomes se destacam no arranque deste empreendimento pioneiro em Portugal: Bernardino Machado, que viria a ser Presidente da República, e Augusto Nobre (na imagem), político, mas sobretudo cientista, ao qual se devem os primeiros passos na zoologia moderna e no estudo da biologia marinha no nosso País. Este, dedicou 40 anos da sua vida à Estação Aquícola do Rio Ave, de onde se reformou aos 68 anos. Deixou ainda uma notável coleção de desenhos científicos de espécies marinhas.

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A estação seria ainda alargada e continuaria o seu percurso, sendo formalmente extinta em 1996, altura em que já se denominava Centro Aquícola do rio Ave.
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Fontes
Hemeroteca Digital de Lisboa
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/
Illustração Portugueza
Nº127 – 27 julho 1908

A História da Estação Aquícola de Vila do Conde – Augusto Maia
file:///E:/AAhist/AAAfazer/primeiro/centro%20aquicola%20rio%20ave/A_Historia_da_Estacao_Aquicola_de_Vila_do_Conde.pdf

Evolução histórica dos organismos no âmbito da administração pública florestal (1824-2012) – João Pinho
Gabinete de Apoio ao Conselho Diretivo. Disponível em:
file:///E:/AAhist/AAAfazer/primeiro/centro%20aquicola%20rio%20ave/Administracao-publica-florestal-ICNF-v143b%20estacao%20aquicola.pdf

Contributo para a conservação preventiva de conjunto de desenhos científicos de Augusto Nobre do acervo da BPMP – Relatório de Estágio de Especialização em Conservação Preventiva de Documentos Gráficos e Fotográficos de Manuela Paulos; Faculdade de Letras da Universidade do Porto – 2018. Disponível em: https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/17441.pdf

https://repositorio-tematico.up.pt/handle/10405/23071

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Pereira_Nobre

 

8 responses to “Instantâneos (65): no princípio era a truta”

  1. É suposto a truta, ali na imagem inicial, estar com olhar de espanto? Ou isso aconteceu por mero acaso?

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    1. deve estar espantada com a variedade que hoje se produz nos viveiros.

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      1. Nunca se sabe, nunca se sabe. Faz lembrar aqueles peixes empalhados falantes que, segundo sabemos, apenas se vendem nos EUA…

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  2. Muitas são as vezes que me lembro de ir a esse local, o Centro Aquícola do Ave com o meu pai. Creio que ainda a conheci com on ome “Estação Piscícola do Ave”.Era um lugar engraçado, com poucos funcionários mas que sabiam muito bem da sua profissão. Estava situada perto de Retorta, Vila do Conde.Havia quase sempre algo a aprender e fico grato pelos bons momentos que lá estive. Continuação de bom trabalho para o autor desta página.Macedo Pinto

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    1. Muito obrigada, Macedo Pinto. Eu sempre vivi no Sul, talvez por isso nunca tinha ouvido falar deste espaço, que achei muito interessantre. Agradeço o comentário e a partilha de memórias.

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      1. Muito gosto em saber de si, Cristina.Eu sou natural da Maia, a cerca de 12 quilómetros de vila do Conde, onde essa estação piscícola estava instalada.Entretanto, acabei por me instalar também no Sul, estando agora (e muito bem) no distrito de Beja, onde presumo que encontrei as condições pessoais certas para o estilo de vida que gosto. Para si, eu desejo continuação de bom trabalho, que pelo que vejo está a ser bem conseguido.Haja vontade de falar sobre estas coisas, não é?Saudações!Macedo Pinto

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      2. Eu também escolhi viver no Alentejo e estou a gostar muito. Muito obrigada pelos comentários e espero que continue a ter interesse em ler o que escrevo.

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