(3) Pela imprensa: a cura para os escrofulosos

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Escrofulismo? Doença com tal nome, não pode ser coisa boa. O termo remete para algo com um aspeto desagradável à vista: escrofulosa, portanto.

A doença, de facto, é penosa, mas descansem os afetados, porque a Emulsão de Scott os cura de tal enfermidade, para nunca mais sentirem “a mais pequena manifestação de tão cruel padecimento”.  Quem o garante é João dos Santos, que atesta o “milagre” com o caso da sua enteada, Amélia Soares, de 17 anos.

A adolescente sofria de escrofulismo e só a Emulsão Scott fez desaparecer tais sintomas.

O alerta, que surge num anúncio publicado na imprensa do início do século XX, tem como alvo os pais das crianças escrofulosas. Avisa-os para que não “desperdicem o seu dinheiro e arrisquem a saúde dos seus filhinhos com outros preparados inúteis”, uma vez que só a Emulsão de Scott resultará. E não se deixem enganar com falsificações, pois unicamente a embalagem com a imagem do “peixeiro” – que se reproduz no anúncio – é a verdadeira. Segue-se – em letra diminuta – referência ao montante a  pagar por tão rápida cura, bem como a identificação dos representantes da marca em Lisboa e no Porto.

O que o anuncio não explica – apenas alude com a imagem de um homem carregando um enorme peixe às costas – é que a Emulsão de Scott é, nada mais, nada menos, que um preparado de óleo de fígado de bacalhau, riquíssimo em vitaminas A e D.

A marca terá sido criada em 1830, num pequeno laboratório de John Smith, nos Estados Unidos da América. Inevitavelmente, foi adquirido por uma grande empresa que expandiu a produção e o seu escoamento, em três sabores, já que a emulsão era também sobejamente conhecida pelo seu pavoroso sabor.

A marca foi descontinuada, mas o produto continua a vender-se, sendo especialmente procurado nos países com pouco sol, devido às carências de vitamina D.

Quanto ao escrofulismo, é a condição de quem sofre de escrófulas, que constituem um processo infecioso nos gânglios linfáticos, em especial no pescoço, provocado pelo agente causador da tuberculose ou, comum nas crianças, por microbactérias atípicas.

 

 

 

Fontes

Biblioteca Nacional Digital

http://purl.pt

Jornal A Voz Pública

Ano XX, nº5:809 – 3  fev. 1909

 

https://es.wikipedia.org/wiki/Escr%C3%B3fula

http://www.saudedireta.com.br/catinc/drugs/bulas/emulsaoscott.pdf

https://pt.wikipedia.org/wiki/Emuls%C3%A3o_Scott

 

5 responses to “(3) Pela imprensa: a cura para os escrofulosos”

  1. Boa tardeConsegue saber, pf, em que cidade ou estado dos E.U.A., funcionava a tal pequena empresa de John Smith e tb o nomeda grande empresa que expandiu o negocio?Obrigado M. de Viseu

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    1. Olá, boa tarde. Gosto desses desafios! Do que consegui perceber, a empresa original era na Filadelfia, na Pensilvânia. A empresa foi mudando de nome, primeiro com a entrada do irmão do fundador, depois de outro sócio que originalmente era o guarda livros e depois com múltiplas aquisições e fusões por firmas de outras origens. Hoje é a GlaxoSmithKline, inglesa, que é a sexta maior farmacêutica do mundo.

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  2. BOA TARDEFico sempre surpreendido com qualidade das suas respostas,pois mostram empenho em procurar a verdade.Julgo q vivera em Alcacer do Sal cidade que desconheço.Se por Viseu houver algo interessante para seu blog dareinota.Obrigado M. de VISEU

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    1. Agradeço os simpáticos comentários. Alcácer do Sal é uma cidade muito simpática. Merece uma visita!

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  3. Este texto fez-me lembrar os relatos de “O mundo de ontem” de Stefan Zweig acerca das doenças venéreas, ele relata a realidade austríaca: diz-nos que antes da 1ªguerra mundial quem as tivesse era um problema, não podia dizer a ninguém e a cura era horrível senão desastrosa (acho que abusavam do mercúrio ou algo assim e as pessoas ficavam todas cheias de manchadas, pintalgadas!). Depois da guerra já havia tratamento da medicina convencional para as tais e portanto e já era tudo uma felicidade!

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