I Pela imprensa: as milagrosas Pílulas Pink

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Resignados e desesperados desta vida, não desanimai. As Pilulas Pink são a resposta que procurais, quer os vossos males sejam de “pobreza do sangue” ou de “fraqueza dos nervos” e mesmo se padeceis de doenças “antigas, rebeldes”, desenganadas dos outros medicamentos experimentados.

É de uma experiência assim que fala Anna Whitton Sarmento, moradora no bairro do Século, que em pouco tempo ficou curada de todas as moléstias, estando por isso “deveras grata às Pilulas Pink”.

Afinal, este extraordinário remédio tem mostrado curar “meros casos de anemia”, “chlorose das meninas novas”, enxaquecas, “sciatica”, doenças nervosas, do estômago, nevralgias ou reumatismo.

Era nestes termos, quase milagrosos, que se publicitavam nos jornais do início do século XX alguns medicamentos, procurando impor-se no mercado. Neste caso, são as Pilulas Pink, assim divulgadas no portuense A Voz Pública, de 4 de fevereiro de 1909.pilulas2.JPG

 

Tão famosas e excecionais, que foram usadas pela poetisa Natália Correia como mote para um divertido conto:  O aplaudido dramaturgo curado pelas Pílulas Pink.

Este tónico, com ferro e magnésio, era, na origem, Dr Williams Pink Pills for Pale People – pílulas rosa para pessoas pálidas – slogan que em português perdeu o trocadilho, mas não impediu o sucesso do produto.

Em 1890, a patente foi comprada pela canadiana G. T. Fulford & Company, que fez o fármaco um bestseller internacional. Hoje, a casa do fundador da marca é atração para turistas, com o patrocínio das autoridades do Ontário.

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Biblioteca Nacional Digital

http://purl.pt/14332

Jornal A Voz Pública, 4 de fevereiro de 1909

 

Fontes

http://drwilliams-pinkpills.blogspot.pt/2010/06/dr-williams-pink-pills-for-pale-people.html

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Dr._Williams%27_Pink_Pills_for_Pale_People

 

Paula Renata Camargo de Jesus, Os slogans na propaganda de medicamentos – Um estudo transdisciplinar: comunicação, saúde e semiótica; Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC-SP, 2008

 

 

2 responses to “I Pela imprensa: as milagrosas Pílulas Pink”

  1. A título de curiosidade: quem tiver problemas de anemia, fraqueza, por aí, aconselho as termas de Vale da Mó (concelho de Anadia), as águas são riquíssimas em ferro, têm caraterísticas únicas, dizem que só na China é que existem umas termas também semelhantes a nível de composição química da água. Eu próprio frequentei estas termas se bom com outros fins (vesícula).

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    1. Agradeço a sugestão. Não conhecia essas termas. Há algum tempo que tenho vontade de escrever sobre algumas curiosidades da nossa tradição termal. Tem muito interesse e diversidade, para mim, claro. Obrigada pelo comentário.

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