Instantâneos (128): um cavalo que não dá coices

 

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À falta de melhor título, o inventor chamou-lhe cavalo elétrico. Na época, os equídeos eram, ainda, o principal meio de transporte individual, mas este era muito diferente, pois movia-se devido à força de um motor extremamente económico, dotado de baterias com autonomia para nove horas de passeio. Não relinchava, nem dava coices…só vantagens!

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Interessado? Não admira! É que este ligeiro e confortável triciclo apresenta-se como a proposta ideal para transitar facilmente numa grande cidade. A descrição parece, também, incrivelmente atual e moderna, pois os “elétricos” são hoje a grande tendência no que à mobilidade diz respeito.

Acontece que este veículo vanguardista foi inventado em 1890, quando os carros movidos a motores de combustão interna a gasolina davam também os primeiros passos.

Foram estes, aliás, que acabaram vencendo a corrida e proliferaram de tal forma que são ainda os mais comuns nos automóveis e motorizadas que usamos.

Mas, houve quem tentasse fazer diferente, vendendo a ideia de construir motores elétricos. Foi esse o caso de Marmaduke Marcellus Slattery, que todos os amigos, compreensivelmente, tratavam apenas como Duke…percebe-se porquê.

De origem irlandesa, este engenheiro rumou aos Estados Unidos em finais do século XIX, como, aliás, muitos seus compatriotas, em especial após a grande fome da batata.

 

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Trabalhou em diversas unidades industriais, até ir parar à Fort Wayne Electric, no estado de Indiana. Aí desenvolveu um bem-sucedido sistema de iluminação elétrica em corrente alternada, mas rapidamente passou a dedicar boa parte do seu tempo ao desenvolvimento de baterias recarregáveis, como as que usou neste triciclo e nos troley de transporte público.

Em 1891, na mesma cidade, o ensaio das suas baterias num veículo com 46 pessoas a bordo foi uma desilusão, pois demorou 28 minutos (e meio) a fazer um trajeto de pouco mais de 6 quilómetros.

Só no ano seguinte, é que os elétricos substituíram os carros públicos puxados por cavalos em Fort Wayne. Foi nesse mesmo ano que uma gripe mal curada descambou numa infeção pulmonar que acabou com “Duke” Slattery aos 41 anos, no auge da sua capacidade inventiva.

Morreu antes de poder aperfeiçoar o modelo de triciclo.

A Portugal, os elétricos, chegaram em 1895, com o Porto a ser pioneiro ibérico na circulação dessa novidade. O primeiro carro elétrico particular chegaria apenas em 1976, mas só muito mais tarde a ideia vingaria e se tornaria popular.

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Já aqui antes falei dos primeiros automóveis e das loucas corridas pela calçada da Glória e também do mais antigo funicular do mundo a funcionar a água, que é nosso, claro!

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Face à ordem de despejo – o próximo encerramento do Sapo Blogs –  osaldahistoria vai mudar de casa. Até conseguir fazer a migração total, vou partilhando aqui, mas também já na nova plataforma que acolhe estas histórias, https://osaldahistoria.wordpress.com, onde vos espero!

Não contem que tudo esteja perfeito desde já. Ainda estou a explorar…

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Fontes

Hemeroteca Digital de Lisboa

O Occidente, 11.07.1890

 

Western Electrician, 21.12.1889
Western Electrician, 24.12.1892
Allen County INGenWeb Project at https://www.acgsi.org/genweb/people/slattery-marmaduke-allen-county-indiana.html 

 

The pictorial history of Fort Wayne, Indiana : a review of two centuries of occupation of the region about the head of the Maumee River : Griswold, B. J. (Bert Joseph), 1873-1927 : Free Download, Borrow, and Streaming : Internet Archive

Porto recorda viagem inaugural do carro ‘americano’ | ACP

Primeiro carro elétrico que chegou a Portugal em exposição no Museu da Eletricidade | Fundação EDP

 

Imagens

O Occidente, 11.07.1890

 

True Fort Wayne Indiana History | Marmaduke Slattery, chief electrician at the Fort Wayne Jenney Electric Light Company, had this electric tricycle built in 1889 | Facebook

Imagem de Charles Miner Studio, Fort Wayne

 

Western Electrician, 24.12.1892
Allen County INGenWeb Project at https://www.acgsi.org/genweb/people/slattery-marmaduke-allen-county-indiana.html

8 responses to “Instantâneos (128): um cavalo que não dá coices”

  1. “grande fome da batata”. Nunca tínhamos ouvido essa expressão em língua portuguesa!E quanto à migração, cuidado, ali o endereço não está a funcionar bem, por acabar numa vírgula!

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    1. Não deixe de nos manter informados sobre a sua nova morada. Não a quero perder.

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      1. Olá Carlos Arnaut, grata pelo simpático comentário. Eu vou fazer os possíveis. Eu também não vos quero perder, nem ao trabalho dos últimos anos. Obrigada!

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    2. Olá, olá!!! a grande fome da batata tem outro nome em português?Quanto à migração…ainda estou a aprender e com pouco tempo para o fazer…mas entretanto já pagando alojamento noutro local e nem sinal de cópia destes ficheiros para migrar. Enfim, vou tentando acertar. Obrigada pelo feedback!

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  2. P.S.- Esperamos que tudo esteja bem por aí, dadas as cheias que se sentem em Alcácer do Sal…

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    1. Obrigada pela preocupação! Foram semanas muito difíceis. Felizmente moro na zona alta e, por isso, nada tenho de pessoal a lamentar, mas muita gente perdeu o que tinha e a cidade está bastante mais pobre, embora lutando para se reerguer.Como trabalho na área da comunicação, estive na zona de cheias todos os dias…e noites. por isso não tenho andado pela história, com muita pena minha.Tenho muita vontade de regressar a estas andanças. Obrigada por estarem desse lado!

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